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17 de mai de 2017

Eu tentei me adaptar, só me senti mais perdida (e irritada)


No início do relacionamento eu dei muita atenção para a família dele e os amigos dele. Sua avó homofóbica com os sermões do quanto a época da ditadura foi boa. Sua mãe que levou meses para olhar na minha cara pq já tinha certeza de que o filho dela namoraria uma piranha viciada antes de me conhecer.  Eu mal consegui conhecer a família porque eles já o conheciam mas não estavam dispostos a me abrir os olhos. Eles só eram ausentes.

E sua tia que entrou no quarto dele em um dia que o visitei, me xingando do que era possível e impossível, dizendo que proibia ele de trazer prostituta pra dentro da casa da avó dele - uma mulher de idade não merece passar por isso.

Eu ainda tentei... Eu disse "Que isso, sou uma menina comportada, to matriculada na faculdade de psicologia, tenho estudo, tenho casa, estou procurando um emprego, porque está falando algo sem sentido assim antes mesmo de me conhecer? Você não sabe nem meu nome..."

Ela me olhou no fundo dos olhos e disse "Eu não acredito em você."

E partiu com violência física pra cima dele. Eu não sabia como reagir naquela situação. E ela dizia "Se você fosse decente realmente, você não se relacionaria com ele"

E veio pra cima de mim, então eu sai correndo com medo de me machucar.

Eu só tinha dezessete anos, ele também. Eu era sua primeira namoradinha.

Ele chorava pra mim, dizia que era tratado assim apenas porque era rockeiro e não sabia qual faculdade fazer ainda. Dizia que elas tinham raiva só porque ele tinha um piercing e não frequentava a igreja. Eu acreditei nele.

Depois eu conheci os amigos dele.

Sua melhor amiga mal falou comigo e já precisava conversar sério com ele sobre como eu era tóxica para sua vida. Segundo ela, eu estava tirando a liberdade dele desde que começamos a namorar. Ela achava que ele devia sair menos comigo e mais com ela. Eu achei um exagero, precisava de dinheiro, tempo e permissão dos pais para eu sair com ele, e aí quando conseguia ela queria que ele me largasse no bar sozinha com um monte de desconhecidos para ir conversar em particular com a melhor amiga. Se eu reclamava ele ia fofocar pra ela que eu reclamei e ela dizia "Viu como ela é possessiva?

Ela era uma pessoa um tanto exibida também, pois como se não bastasse o reboliço que tava fazendo desnecessariamente, ainda fez questão de postar no facebook dele a musica "Será" do Legião Urbana (aquela que diz "Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você. Não é me dominando assim que você vai me entender. Posso até estar sozinho, mas eu sei muito bem aonde estou. Você pode até duvidas, acho que isso não é amor.") dizendo que se lembrava dele ao ouvir essa musica.
 

Os amigos dele - todos os homens com quem ele andava, sem exceção - aderiram a mesma modinha: Chamar ele pro canto pra conversar sobre a fidelidade dele no relacionamento com essa garota maldita com cara de cachorra sem dono que é sem sal, feia, maníaca obsessiva, esquisita, calada, "eu sei que você esta comendo mas não precisa se amarrar a ela dessa forma, come e joga fora" e outra dicas do tipo "homem de verdade não responde a mensagem na hora, deixa ela esperar"

Eu não sentia ciúmes dele e depois de tanto estresse por causa dos disse me disse fiquei confusa de vez. Tava nem aí, pra mim era só um cara que acabei de conhecer e já inventei de namorar, se não tiver que ser não vai ser...

Então o menino que tirou meu bv brigou com a recente namorada e me ligou. Disse que sentia minha falta, me convidou para tomar um vinho e fumar o narguilé. Eu não desejava nada além de uma boa conversa, com uma boa companhia e um vinho doce. Surpreendente, ele me roubou um beijo. Estávamos sozinhos na sua casa, com o ar ligado, uma musica sensual, ele me agarrou pelos braços, foi muito excitante pra mim. Eu ainda não era maior de idade, não lembrava de minha ultima noite de sexo, tentei transar com ele tantas vezes sem ser correspondida e finalmente!

Eu dei e não me senti culpada depois. O que não significa que eu soube lidar quando meu namoradinho que eu conhecia a poucos dias me encostou na parede acusando-me de traição e ameaçando machucar meu amigo de infância. Minha cabeça girou, nada fazia sentido, e eu vou ser sincera - eu só queria que ele me deixasse em paz. Eu me sentia triste e irritada a maior parte dos meus dias, e a pessoa que dizia que ia me fazer feliz e me dar prazer agora ficava me ligando chorando e dizendo o quanto eu feri seu coração inocente. Me xingava, me violentava verbalmente, ameaçava brigar com meus amigos, ameaçava me perseguir pra saber por onde eu ando, entrava no meu facebook pra responder as mensagens e vigiava meu celular.

Depois desse acontecimento ele me via com mais frequência e saia menos com os amigos pois temia que eu desse pra outro cara de novo e destruísse mais a sua vida. Afinal de conta, eu sou sua posse, e o que eu faço com meu corpo afeta mais a ele do que a mim mesma. Me proibiu de ver meus velhos amigos, me obrigou a bloquear esse garoto, e resumiu todo meu meio social a ele. Me difamou para os amigos, que o incentivaram a se vingar. Sem notar eu perdi meus sonhos, eu deixei de amar a mim mesma, tudo o que eu sabia dizer era "Eu amo o fulano, fulano é tudo pra mim" Porque ele realmente era tudo o que me restava.

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