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17 de mai de 2017

Antes de conhecê-lo...


Eu havia acabado de sair de uma desilusão amorosa. Meu relacionamento mais duradouro e sério, que foi com meu melhor amigo do ensino médio, foi um relacionamento de muita dependência, pois vivíamos juntos praticamente o dia todo todos os dias. Enfrentávamos as mesmas dificuldades da adolescência, escola, sexo, drogas, imaturidade, consumismo, e também a minha depressão e o luto pelo assassinato de minha avó, meu avô e meu tio maternos (que foram mortos pelo meu próprio pai). Meu pai começou a espancar minha mãe no mesmo ano. Meu namorado se cansou de mim e dos meus problemas e deu umas beijocas numa amiga da minha irmã mais nova e me traiu com uma amiga do irmão mais novo dele, e depois namoraram.

Não foi fácil pra mim superar esse término não porque era ele, mas porque eu sentia que precisava de alguém, eu estava muito frágil com os recentes acontecimentos, não tinha amigos e sofria bullying na escola, o que tornou o termino pra mim tão doloroso, pois eu me senti solitária.

Então eu fui procurar por aquelas pessoas que eu já conhecia e que eu sabia que me arranjariam drogas.

Fiz uns amigos, que eu considero amizades tóxicas. Minha cabeça estava nos problemas de dentro de casa, então meu meio social era digamos desleixado, eu não avaliava a situação ou com quem eu estava andando. Eu segui por esse movimento.

Com a cabeça cheia, precisando encarar a formatura, a prova pra faculdade e qual curso fazer, o término do namoro, o luto e a violência com as quais foram levados de mim, a violência doméstica na minha família, a depressão, o alcoolismo.

Eu acreditava que só um companheiro(a) poderia me salvar. Que eu precisava de alguém ao meu lado para me ajudar emocionalmente e financeiramente, para eu encontrar alguma solução ou pelo menos uma maneira melhor pra viver.


Eu comecei a me abrir e desabafei após o término com um garoto que sentava comigo na sala de aula. Eu meio que fazia parte de um grupo formado por mim - a esquisita, o hisperativo infatilão, o piadista que vive de recuperação, o cara das paródias de funk, e aquele cara que você pede pra contar as novidades porque a vida dele é zoada. Esse ultimo era com quem eu me abri e por isso me apeguei.

Nós dizíamos que éramos melhores amigos. Ele me dava boa noite e me acordava com uma mensagem positiva. Ele tinha namorada e eu o respeitava por isso, então nossa relação era sim só de amizade, mas para mim era uma compensação, alguém para substituir o carinho do meu ex.

Aí eu conheci um garoto mais velho que fugia no meio da aula pra me ver. Sempre me atrai por homens de atitudes, que correm atrás das mulheres (mesmo que no fundo ele só queira um sexo fácil com uma garota quebrada). Nós bebíamos juntos, ele me chamou pra sair. Passamos a sair juntos, para beber um bom vinho, assistir a um filme e trepar no cinema.

De repente o menino que tirou o meu bv me chamou pra sair com ele e uns amigos. Ele me atraia fisicamente, com seus cabelos rebeldes, calças femininas, trejeitos afeminados, assuntos inteligentes e bom gosto musical. Mas eu sempre achei difícil flertar com ele, ele só me dava uns beijinhos e me deixava chupando dedo. Eu não conseguia ir pra cama com ele, apesar dele morar na minha vizinhança.

E um dia a escola acabou.

Eu nunca mais vi meu melhor amigo nem conversamos mais (porque a namorada dele começou a ter ciúmes de mim e pediu pra ele me bloquear). Parei de ficar com aquele garoto, e fiquei um tempo sem sexo. Saindo com uns garotos muito sem gracinhas que me davam uns beijos bêbados mas me ignoravam quando sóbrios.

Então eu fui staff no Anime Family. Parei na minha hora de almoço e fui dar uma volta, queria beber uma cerva. Dois garotos que estavam de staff também me acompanharam. Depois que entramos no evento pra tampar de novo, um desses garotos não saiu mais da minha cola. Eu estava sozinha, não achava estranho homens muito simpáticos farejando mulher. Então trocamos uma ideia, eu consegui beber um pouco, ele mandou uma cantada barata e eu não era daquele tipo que dizia não.

Não sou a única garota que se achava a tal malvadona rock in roll só porque bebia e fumava de graça. Você talvez conheça uma garota que seja assim... Que confia na simpatia de estranhos, com aquele vestido curto decotado, o batom vermelho, que realiza os desejos dos garotos nas festas.

Vulnerável

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