4 de out de 2018

Vou fuder sua autoestima

Nem a cegueira me impede de fazer o que eu quero.



Então se pergunte se acha mesmo que você será capaz.

Passa disfarçada, mas meu faro é bom. Os muros tem ouvidos e eu sou da rua, você ta engatinhando e achando que é malandra. Levando uma vida cínica.

Malandra é malandra.

Vocês são os reis, os quais eu enterro.

"Moleque quer ser rei só pra cagar no trono".

Acha que é fácil fazer tudo o que eu sei. Mas não faz.

Você pode ser boa de blefe, eu sou boa com a sorte.

Não entende que, não importa o que eu faço, o que importa é que eu faça.

Pois eu carrego as tochas da Deusa e são elas que iluminam o caminho.

3 de out de 2018

Apenas respeite a minha solidão

Eu lutei

Mas eu também desejei morrer

Eu elevei as barreiras

Eu salvei a todas nós

Agora eu só quero sair desse estábulo

Posso até ser gado mas não sou sua

Não se aproxime

Respeite a minha liberdade

Eu sempre serei livre

Aceite o meu silêncio, que esse é o meu lado manso

Eu não te desejo, eu te liberto

Eu não me importo

Eu não quero nada que possa me dar

Eu só quero o que é meu

2 de out de 2018

Estou saindo da concha


Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão,
minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon,
sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo,
eu sou o irmão
E onde queres cowboy,
eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura,
eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, eu sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada
o amor me armou
Eu te quero (e não queres)
como sou
Não te quero (e não queres)
como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto,
o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro,
eu sou obus
O quereres estares sempre a fim
Do que em mim é de mim
tão desigual
Faz-me querer-te bem,
querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te
sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há,
e do que não há em mim

 - Caetano

31 de ago de 2018

Para todo o mal, um bem /parte 2


Minhas perdas são imensuráveis. Tudo no que eu acreditava foi varrido pela sua desconfiança. E agora estou folheando as memórias, procurando por minha alma. Refletindo que, apesar de tudo, a sua fuga da terapia chegou ao fim. As coisas tem seguido da melhor forma possível, com a responsabilidade em cima de quem é responsável. Será questão de tempo até que me cheguem boas notícias a seu respeito. Dessa vez não foi uma vitória, mas de fato é um bem, no meio da maldade.

30 de ago de 2018

Para todo o mal, um bem /parte 1

Ele negava meus desejos de melhoras. Recusava, incansável, afirmando jamais poder melhorar. Eu havia destruído sua vida, e isso não era mais mutável. Ele já estava tão insano que aceitaria qualquer mentira para manter algo que ele sabia que não mais existia. Depois virou doença. Dessa doença encadearam-se vícios. Eu lhe disse - por favor não faça, não se desfaça! Eu precisava vê-lo sorrir, de novo. E a esperança, louca, que a todo ano se joga do 12º andar, me fez aguentar. Dessa esperança, eu tive forças para ligá-lo, a espera de boas notícias. E elas chegaram! Pois para todo mal, sempre haverá um bem. Nada pode superar o bem. Hoje não mais se envenena, e afirma ser graças à minha insistência.

Eu venci.
/escrito em agosto de 2011

29 de ago de 2018

Alguém consegue escutar o meu silêncio?

Eu pude sentir como se o mundo perdesse o chão. Eu fico em silêncio, mas os meus órgãos gritam. Existem tantas coisas para matar dentro de mim. Eu quero gritar até explodir. Você consegue escutar o meu silêncio gritando?

O que fará a moribunda, que por muito tempo foi paciente em suas decisões? E com tanto desgosto, está amarga. Eu acho que sou real, mas sinto-me de plástico.

27 de ago de 2018

Sálvame

 

       Por um tempo eu tenho certeza, de que me compreende. Que nossa relação é de amizade. Amigos não são as pessoas que saem com você mas ignoram tudo o que você valoriza em si. Não são pessoas que tentam mudar a direção do meu olhar, muito menos que neguem as partes que doem em mim. Não preciso de pessoas que só vejam a beleza superficial. Preciso de pessoas que vejam toda a minha abominação e achem linda.

       A insatisfação é antiga. Eu vivo em busca de curas e os meus ferimentos são cutucados. Eu sou bruxa, predestinada às pedradas. Pois é de bondade que se fazem os maus. E eu alimento sonhos, alimento pequenos adultos, apesar de toda a dificuldade, e a decepção é um resultado frequente. E eu sou os restos disso.

       Sinto todas as dores... a dor da perda, da saudade, da doença. Dor dos vícios, dor da raiva, dor da tristeza. A dor da falta de dinheiro, da falta de tempo, da família ausente. Dor do desprezo, do preconceito, de nunca ser o suficiente. Sofro as dores do trabalho, dos estudos, da fome, do homicídio, do suicídio. As dores da liberdade, da falta da mesma, e das mentiras...ah, as MENTIRAS, os segredos. São tantas dores que de muitas por vezes até as esqueço. E sei que algumas dessas dores compartilhamos.

       Por que o amor é falso? A vida me tornou displicente. Eu, a senhorita Inútil, migalha entre as poeiras. E minha cantiga de ninar à noite não é mais a mesma... durmo cantarolando em minha mente:

"Se eu cair ao mar, quem me salvará? Que eu não tenho amigos, quem é que será? Ai a solidão, que não andas só. Anda lá à vontade, mas de mim tenha dó."